
Mata Nacional de Leiria, Marinha Grande

A Urze durante a noite, em todo o seu esplendor.
A composição é, pelo menos para mim, o aspecto que mais peso possui numa foto. Vários elementos devem ser sempre considerados pois a composição, para além da regra dos terços possui outras que em muito contribuem para o impacto de uma foto: o equilíbrio dos elementos que compõem uma foto, a cor, as linhas que nos guiam o olhar, a simetria e os padrões, o ponto de vista, o fundo, a focagem, a profundidade de campo e em muitos casos a experimentação. Procuro várias vezes quebrar as regras da composição, tentando reproduzir alguns dos pontos de vista usado pelos mais variados mestres da pintura. Neste caso usei a linha criada pelo arrasto da Lua durante 50 min. para criar uma linha guia que leve o olhar de um canto ao outro da foto. Existem alguns elementos de simetria propositadamente deslocados para a esquerda, compensando assim o equilíbrio entre luz e sombra. As formas equilibram-se no conjunto, tal como a luz. Piet Mondrian era um mestre do equilíbrio entre formas e cor. Ver também é aprender.
Mais visíveis durante a noite, especialmente em noites chuvosas, os Sapos-comuns são muitas vezes vítimas de atropelamento dos condutores mais incautos. Para isso não ajuda a posição estática que adoptam quando se encontram debaixo da luz intensa dos faróis dos carros, assemelhando-se a uma folha morta. Durante a primavere o o Outono, na tentativa de chegarem aos locais de reprodução, junto de grandes poças ou cursos de água, muitos morrem antes de conseguir garantir a próxima geração. Tal como todas as criaturas, o sapo-comum é igualmente vital ao equilíbrio natural e apesar de não ser uma espécie ameaçada, interessa proteger e preservar. Da próxima vez que conduzir em noites de chuva em estradas perto de zonas húmidas, tenha mais atenção e circule mais devagar.
Apesar de um domingo cheio de trovoada, esta aconteceu na sua maior parte durante o dia, oferecendo a quem gosta um espectáculo ímpar. Passei quase todo o dia a observá-la e a tentar fazer algumas imagens diferentes. Mas fotografar relâmpagos durante o dia é mais um exercício de sorte do que qualquer outra coisa. Após a frustração do dia ainda receei que acabasse o espectáculo durante a noite o que acabou por não acontecer. Com a chuva intensa que ia caindo aqui e acolá (mais aqui do que acolá), e entre montar e desmontar máquinas dos tripés lá deu para ir fazendo uma ou outra foto.
Todos nós temos um lugar favorito onde gostamos de estar e de passar algum tempo. Para mim este é o lugar, onde os pinheiros crescem mais distanciados uns dos outros, o chão está repleto de líquenes, briófitas, arbustos rasteiros, e o mar ouve-se ao longe, apenas interrompido ocasionalmente pelo piar de uma Coruja-do-mato. Um lugar tranquilo para apreciar e registar de vez em quando.
O Sapo comum (Bufo bufo) é uma criatura de hábitos maioritariamente nocturnos e caça quando as condições de humidade são adequadas. Estão muito bem adaptados ao seu meio ambiente, sendo practicamente indetectáveis quando estão a descansar, devido à sua excelente camuflagem. A partir de Outubro serão muito mais difíceis de ver, pois hibernam até Março. Este descansava em cima de um cogumelo e assim se manteve, imóvel durante algumas horas.
Zona de rápidos no Rio Águeda, nas escarpas do Douro. Uma zona incrível com uma subida e descida a condizer. Igualmente um excelente local para se observarem Grifos e Britangos. Umas horas bem passadas na companhia do fotógrafo e amigo João Cosme.

Em noites amenas, com humidade e Lua, as condições apresentam-se ideias para observar caracóis. Possuem uma concha calcária e respiram por um pulmão. São hermafroditas (possuem os dois sexos) mas incompletos, necessitando de um parceiro para realizar a cópula e fecundar os ovos.
Dias de céu limpo têm sido raros em pleno Agosto junto à costa oeste. E nos dias em que isso acontece, a humidade atinge os 95% ou o nevoeiro prevalece até ao nascer do Sol. Para uma foto nocturna de rastos de estrelas é conveniente que a humidade se mantenha nos 70% ou abaixo disso. Pelas previsões sabia que iria estar um ou dois dias com uma humidade relativa baixa, dependendo da direcção do vento. Aproveitei os dias anteriores para estudar o local e o enquadramento. Quando o dia chegou foi só montar o equipamento e esperar duas horas pela foto. Por vezes as situações não estão a nosso favor. Só temos é de as tornar mais favoráveis e aproveitar o que nos oferecem. Saber esperar é uma virtude!
Neblinas no Pinhal do Rei. Quando as condições não são as ideais para fazer uma foto, usa-se as que se apresentam para se poder fazer outra.
Grupos isolados de pinheiros que resistiram aos fogos de 2003. Esperemos que este ano nada de grave aconteça.
Numa zona onde há 30 anos abundavam as barracas e outras construções ilegais, contribuindo para a degradação das dunas, existe hoje um habitat dunar natural e povoado por espécies autóctones. O seu contributo é de uma extrema importância na fixação das dunas funcionando como primeira linha de defesa contra o vento, o avanço do mar e a própria areia. São vários os tipos de vegetação dunar que ocorrem em duna primária: a Assembleia-das-areias (Iberis procumbens) e o Estorno (Ammophila arenaria) são apenas uma pequena amostra das mais de 17 espécies que aqui podem ser encontradas.
O problema de se seguir uma tempestade é que nada é previsível. Em fenómenos atmosféricos deste tipo, as condições atmosféricas mudam constantemente, alterando o percurso inicial da tempestade. Por questões de segurança, deve ser sempre mantida uma distância aceitável ao núcleo da trovoada, sendo esta mais segura se estivermos pelo menos a 10km do seu centro. A busca por imagens nem sempre é satisfatória. São coisas deixadas um pouco ao acaso de acordo com o local que se encontra. Após ter saído de casa no início da trovoada, acabei por fazer 200 km numa noite para conseguir apenas uma foto aceitável, 4 horas depois de ter começado.
Amendoeiras em Flor - Flowering Almond Trees
Muros de protecção das raízes de Oliveiras - Containment walls for the roots of Olive trees
Estive nos últimos dias no Alentejo a fotografar para o projecto Gigantes da Floresta. Esta é a altura do ano em que mais gosto de me deslocar ao Sul. O ar está perfumado e as temperaturas são as mais agradáveis para esta altura do ano. Como faço em todas as minhas viagens e para que tudo corra bem, planeio ao pormenor todas as deslocações, os locais onde tenho de ir, as horas, as refeições, o local ou locais onde dormir, a posição da Lua, a hora do nascer e pôr do Sol, etc. Mas caso alguma coisa corra mal, é sempre útil ter um plano de contingência. Marco sempre locais extra, caso não seja possível aceder a determinados zonas programadas inicialmente ou não encontre o que pretendo. Dá sempre jeito, porque em alguns casos são as únicas coisas que temos para fotografar.
São apenas 3 os postos de vigia ainda no activo na Mata Nacional de Leiria: Ponto do Facho, Ponto Novo e Ponto da Crastinha. Originalmente, quando foram construídos em 1936, todos possuíam uma casa de apoio onde os vigilantes residiam durante o período em que os postos funcionavam. Hoje apenas funcionam as torres de vigia, sendo que apenas uma possui ainda a casa original, ainda que seja apenas uma memória de outros tempos.
Numa rara noite em que vários factores se conjugaram: maré baixa, Lua no perigeu e a iluminação da marginal de S. Pedro de Moel, desligada!
A natureza toma conta de velhas ruínas. Lentamente e aos poucos os vestígios deixados pelo homem vão desaparecendo.
Acontece-me várias vezes. As condições estão perfeitas para fazer a foto que penso. Preparo todo o material e saio para o campo. Quando chego ao local, monto todo o material de que preciso e numa caso de uma exposição longa, preparo-me para uma igual espera. Tinha planeado uma exposição de duas horas mas 10 minutos depois de ter iniciado a exposição, apareceram umas nuvens nem sei bem de onde. Aos 45 minutos, acabou a exposição pois só havia nuvens mesmo por cima de mim. Nem sempre tudo corre bem e esta foi mais uma daquelas ocasiões em que temos de tirar o melhor proveito de uma situação que não está a nosso favor. Há que vencer as adversidades para irmos avançando.
Tinha alguma expectativa em ver qual seria a adesão a um encontro deste género onde se fala e se mostra fotografia de natureza. O painel de oradores era diverso e sendo uns menos conhecidos e outros mais, a qualidade marcou presença do princípio ao fim. Para minha surpresa, a sala encheu e o entusiasmo era visível em todos. E tudo organizado apenas por uma pessoa e com o apoio de uma autarquia do interior, da qual pouco se ouvia falar. Vouzela fica agora no mapa da fotografia de Natureza. A prova viva de que não é preciso centralizar para que eventos destes possam vingar. Basta ter qualidade e um público que corresponda. Quanto á comunidade de fotógrafos e entusiastas de fotografia de natureza, correspondeu em força ajudando assim a que a fotografia de natureza em Portugal ganhe mais expressão. Vamos agora aguardar pelo próximo. Parabéns ao João Cosme que tudo fez para que este evento se torna-se numa coisa: Sucesso!
Foram já milhares de fotos que tirei a esta costa. Não me canso de a fotografar.
No próximo dia 29 de Janeiro, irei estar presente em Vouzela, no I Encontro de Fotografia de Natureza e Vida Selvagem onde irei apresentar o projecto Gigantes da Floresta. Um projecto que visa dar a conhecer as árvores notáveis e monumentais do nosso País para que assim as possamos preservar.
As árvores encontram-se entre os seres de maior longevidade neste planeta, com alguns exemplares a atingir os 5000 anos sendo também os seres vivos mais altos de todos.
Em Portugal existe um conjunto de árvores fantásticas, muitas delas desconhecidas do público em geral. Desde o eucalipto mais alto da Europa até Oliveiras com 2000 anos e Sobreiros com 500. É importante preservar e divulgar este rico património natural para as próximas gerações.
2011 é o Ano Internacional das Florestas. A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) pretende assim alertar para a importância das florestas de todo o mundo, para o seu desenvolvimento sustentável, a sua conservação e a sensibilização das populações para o decisivo papel que desempenham nas nossas vidas, não só a nível social e cultural mas também económico. As florestas devem ser vistas como um bem que a todos diz respeito. Ocupam 31% de toda a área terrestre e são o pulmão do planeta. Geram madeira, combustível, alimento e matérias-primas. Protegem os solos da erosão e controlam o ciclo da água e do clima. São fonte da maior parte da biodiversidade terrestre e possuem um elevado valor paisagístico.