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Grande Angular Nocturna
Estórias por detrás da imagem - Gineta
Técnica em Fotografia Nocturna

Numa das minhas saídas nocturnas, encontrei esta Aranha-dos-jardins-angulosa, Araneus angulatus que construía a sua teia de enormes dimensões. A teia foi construída entre 2 árvores que distam cerca de 5m entre si. O feito demorou apenas 45 minutos e após a sua conclusão, a aranha colocou-se no centro. Um das defesas que possuía quando se soprava ligeiramente na teia, era abanar-se para a frente e para trás, talvez numa tentativa de afastar algum animal que pudesse danificar a sua construção. Durante três dias, construiu a teia sempre no mesmo sítio e à mesma hora.
Setembro, não me canso de o dizer, é o mês dos céus fantásticos e das belas cores do crepúsculo. Há já alguns meses que nada fazia de paisagem, por isso estava na hora de um passeio à beira mar, para cheirar o ambiente.
Durante uma sessão de observação de borboletas nocturnas, de vez em quando as oportunidades fotográficas não estão no sujeito principal mas nos visitantes ocasionais que por ali vão passando. Foi o caso deste Opilião (Phalangium opilio) que se deslocava silenciosamente pelo solo até ser descoberto por um dos participantes. Para os menos atentos, o Opilião é da família dos aracnídeos mas não é uma aranha. São completamente inofensivos e alimentam-se de pequenos invertebrados. Não produzem seda nem constroem teia, caçando no solo da floresta durante a noite.
Fui recentemente entrevistado pelo site Ciência 2.0, um projecto de comunicação de ciência da Universidade do Porto. 12 perguntas sobre o meu trabalho como fotógrafo de natureza e sobre as fotografias nocturnas que faço e algumas fotografias mais recentes. Leia mais aqui.
A zona onde vivo é rica em fauna nocturna, encontrando-se por aqui a maior parte dos mamíferos de hábitos nocturnos que ocorrem em Portugal. Graças a um dos ribeiros menos poluídos do País e apesar da ocasional presença humana, o habitat torna-se ideal para suportar mamíferos como a Gineta (Genetta genetta). É um predador dotado de uma excelente visão nocturna e desloca-se em total silêncio. Durante os dois meses que passei em prospecção, preparação e a fotografá-la, observei o seu comportamento e os seus hábitos para melhor a fotografar. Longe de ficar contente com o que tenho, há mais trabalho a fazer e outros mamíferos na lista.
Com uns sinistros olhos azuis, um macho de Enallagma cyathigerum descansa durante a noite, imóvel a salvo de predadores. Este tipo de libélulas com o seu pequeno tamanho assemelham-se a um pequeno galho quando em posição de descanso, sendo descobertas na noite apenas pelo brilho das suas asas e o azul do seu corpo.
Uma brincadeira com luzes e sombras que andava para fazer há já algum tempo. O difícil foi fugir à luz para (eu) não aparecer na imagem mas com insistência lá se arranja maneira. A disposição das árvores é curiosa tal como o terreno limpo, apenas coberto de caruma e um ou outro galho numa zona onde não existe limpeza de mato.
Activas durante as horas de maior calor durante o dia, as libélulas e libelinhas descansam quando as temperaturas estão mais baixas e mantém-se praticamente imóveis durante a noite, onde descansam longe dos locais que frequentam durante o dia, a salvo de predadores. São por vezes difíceis de fotografar devido à sua camuflagem e pequeno tamanho. Quando detectadas, continuam imóveis, esperando que o perigo passe. Fêmea de Enallagma cyathigerum.
Há já algum tempo que tentava fazer uma foto de pirilampos. Fotografá-los não é fácil e para ter resultados aceitáveis é preciso muita técnica e paciência. Tenho um fascínio enorme por estas criaturas. Consigo passar horas a observá-las e todos os anos repito a dose.
Urze branca (Erica arborea) ao fim da tarde. Aquele pequeno ponto branco no céu é o planeta Vénus.
Há cerca de 4 anos, fiz uma imagem (aqui) da Pedra do Guilhim e das Pedras do Leme na Nazaré, que na altura até me parecia bem. No momento não fiquei muito contente com a imagem mas já ia no 3º dia e sem resultados satisfatórios. Ora eram barcos de pesca a passar, ou havia nuvens ou o nevoeiro era mais denso ou era até mesmo a linha de um pescador que entrava na composição. Registei mentalmente a necessidade de voltar a fazer a foto, quando as condições fossem mais favoráveis.
Por vezes quando se anda a fotografar de noite e mesmo após algum reconhecimento diurno, apesar de breve, são escassos os locais que podem apresentar algum potencial. Quando esses locais se tornam banais ou desinteressantes, é necessário puxar pela imaginação para conseguir algo que seja minimamente interessante. Numa saída nocturna com um amigo fotógrafo, estas ruínas daquilo que penso ter sido um antigo posto fiscal, tornaram-se num motivo interessante pela presença de uma figura humana, pela modelação da luz e pelo sentido de direcção das nuvens.
Na zona dunar de protecção, raros são os pinheiros que atingem proporções normais. Quando as condições são adversas, tais como vento e fraca qualidade do solo, os pinheiros com perto de 100 anos possuem o aspecto de um pinheiro com 20 ou 30 anos. Tal como os conhecidos pinheiros serpente, estes servem apenas de fixadores de solo, já que a sua forma não é viável para produção de madeira.